Ela sorriu e disse que sim. Então, eu sorri também, e fiquei com a impressão que o resto do mundo também estava a sorrir. Esperei ali sentado durante muito tempo. O sol estava a brilhar e as nuvens tinham formas de coelhos e ovelhitas fofas. As folhas das árvores estavam verdes, havia um vendedor de pipocas com o seu trautear, havia uma menina a andar de patins, havia amor. Os meus ténis estavam desgastados. Ela estava mais bonita que sempre.
Passaram pela nossa frente três pessoas. Um senhor bem-parecido, já calvo, do estilo empresário, mas com calças de ganga e uma camisa aos quadrados. Uma mulher morena, com um cabelo comprido e liso, muito mais alta que o senhor, mas os dois de mãos dadas. E havia um menino de calções, de joelhos magoados, que corria atrás de algumas pombas. Tinha um sorriso enorme no rosto. E parecia feliz. Aliás, pareciam os três felizes. Era assim que eu queria ser com ela. Queria passear pelo parque em pleno Verão, queria andar de mãos dadas. Queria ter um filho que fosse feliz. E queria ser feliz. Porque de resto, não sabia bem o que queria ser. Nenhuma profissão me atraía. Eu só queria passear de pés descalços num prado orvalhado, eu só queria tostar ao sol, deitado numa toalha azul clara, só queria ficar com ela. Não gostava de preocupações, horários, nem compromissos. Só me queria comprometer a uma coisa. Queria casar-me com ela.
Queria casar-me debaixo de uma daquelas árvores que fazem uma espécie de cúpula com a sua densa folhagem, só com os meus amigos e família mais próxima. E ia casar-me de ténis. Eu vou usar ténis a vida toda. Mesmo quando for velho, vou usar ténis. E vou ser feliz. Queria ganhar dinheiro para comer a escrever. Vai custar-me um pouco a mostrar aos outros aquilo que eu escrevo, mas hei-de conseguir. E quero viver com ela numa ilha, numa casa de madeira. E nunca irei deixar de sonhar. Palavra.
Olhei para ela, e ganhei coragem para quebrar o silêncio
Perguntei-lhe se alguma vez me iria deixar.
Ela esperou um momento, e disse que sim. Disse-me que eu e ela éramos muito diferentes, que isto não iria funcionar, e que não ia aguentar a dor de estar longe de mim. Disse que um dia, iria sair de casa e iria entregar-se a outro homem. Mas nesse momento, iria amar-me mais do que alguma vez me tinha amado. Porque amar era felicidade, mas ela sentia que não tinha nascido para ser feliz. E sim, iria deixar-me, mas iria amar-me até ao fim dos seus dias.
Beijei-a e abracei-a. Aquilo era o amor.
Grande ©
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força, contibui para a minha ainda não existente popularidade online.